A ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, decidiu bater o martelo sobre seu futuro político. No último sábado, 4 de abril de 2026, ela confirmou que disputará a segunda vaga ao Senado pelo estado de São Paulo. A novidade é que ela não mudará de legenda: continuará filiada à Rede Sustentabilidade, partido que ela mesma fundou em 2013.
O anúncio não foi por acaso. Marina aproveitou o último dia do prazo de desincompatibilização, logo após sua exoneração ter sido publicada no Diário Oficial da União (DOU) na quarta-feira, 1º de abril de 2026. Para quem não está familiarizado com a burocracia eleitoral, a regra é clara: quem quer disputar um cargo diferente do que ocupa precisa deixar o posto seis meses antes da eleição. Com isso, ela agora está oficialmente no jogo.
A queda de braço interna na Rede Sustentabilidade
Aqui entra a parte complicada da história. Nos últimos meses, o nome de Marina foi alvo de inúmeras especulações sobre uma possível troca de partido. E não era para menos. A situação interna na Rede estava, para dizer o mínimo, tensa. Em abril de 2025, Marina perdeu o controle da sigla para uma ala rival liderada por Heloísa Helena.
Mas a história ganhou um novo capítulo jurídico. O grupo "Rede Vive", do qual Marina faz parte, conseguiu na Justiça a anulação do 5º Congresso Nacional do partido. Esse evento era justamente o que dava o controle majoritário ao grupo opositor. Com essa vitória, Marina decidiu que, em vez de fugir para outra legenda, preferia ficar e tentar resgatar o que ela chama de "princípios e valores originais" do manifesto da sigla.
A decisão de permanecer na casa que ajudou a criar parece ser menos sobre burocracia e mais sobre identidade política. Em sua carta oficial, ela mencionou que a reflexão foi "cuidadosa e comprometida", enfatizando que não quer permitir que o campo democrático seja capturado pelo autoritarismo ou pelo negacionismo.
A estratégia do campo democrático em São Paulo
Marina não está sozinha nessa caminhada. Ela se colocou à disposição da federação liderada pelo PSOL para compor a chapa. O cenário agora é de cooperação: ela dividirá o protagonismo com Simone Tebet, do PSB. Curiosamente, Tebet mudou sua candidatura do Mato Grosso do Sul para São Paulo a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na prática, isso significa que o governo Lula agora tem duas candidatas oficiais e fortes para as duas vagas de senador em São Paulo. É um movimento estratégico para consolidar a base aliada e apoiar, simultaneamente, a reeleição do presidente e a campanha de Fernando Haddad ao governo do estado.
Marina fez questão de agradecer publicamente os convites de outros partidos, como o PT, PDT, PV e PCdoB. Mas, no fim das contas, a aposta na Rede e na federação com o PSOL parece ser o caminho para manter sua independência enquanto soma forças com a esquerda e o centro-esquerda.
O que dizem as pesquisas: a briga pelo voto paulista
Se no papel a estratégia parece sólida, nas urnas a disputa promete ser acirrada. De acordo com a última pesquisa Atlas/Estadão, a corrida pelo Senado em São Paulo está tecnicamente empatada no topo. Vejam os números:
- Simone Tebet: 22,6% das intenções de voto.
- Guilherme Derrite (PP): 22%.
- Marina Silva: 19,6%.
Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, Marina e Derrite estão praticamente lado a lado. Isso mostra que a candidatura de Marina não é apenas simbólica; ela tem tração real para levar a vaga, especialmente se conseguir mobilizar o eleitorado preocupado com a agenda ambiental e a sustentabilidade.
A intenção de Marina é intensificar o debate público em São Paulo, focando no que ela chama de "coeficiente civilizatório" do país. Para ela, o estado é o epicentro desse desafio, e sua presença no Senado seria a ferramenta para garantir que a diversidade e a justiça social não sejam deixadas de lado no próximo ciclo.
Próximos passos e o impacto no tabuleiro político
Com a candidatura confirmada, a expectativa agora é ver como a campanha de Marina Silva irá se integrar à de Fernando Haddad. A sinergia entre a pauta ambiental de Marina e a gestão administrativa de Haddad pode criar um eixo atraente para o eleitor moderado de São Paulo.
Além disso, a permanência de Marina na Rede pode forçar uma reestruturação definitiva do partido, eliminando as disputas internas que marcaram o ano de 2025. Se ela vencer, a Rede Sustentabilidade volta a ter a força de sua fundadora no centro do palco nacional.
Perguntas Frequentes
Por que Marina Silva decidiu ficar na Rede Sustentabilidade?
Marina optou por permanecer no partido que fundou em 2013 para tentar restaurar seus princípios e valores originais. Mesmo após perder o controle da sigla para a ala de Heloísa Helena em 2025, ela conseguiu anular judicialmente o congresso que dava poder ao grupo opositor, decidindo lutar internamente em vez de migrar para outras legendas como PT ou PSB.
Quem são as candidatas do campo democrático ao Senado por SP?
As duas candidatas oficiais apoiadas pelo governo Lula são Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Tebet foi deslocada para São Paulo por pedido estratégico do presidente, e Marina integra a federação liderada pelo PSOL, formando a base principal de apoio à reeleição de Lula e à candidatura de Fernando Haddad ao governo estadual.
Qual é a situação de Marina Silva nas pesquisas eleitorais?
Segundo a pesquisa Atlas/Estadão, Marina Silva possui 19,6% das intenções de voto. Ela aparece tecnicamente empatada com Guilherme Derrite (22%), devido à margem de erro de dois pontos percentuais, enquanto Simone Tebet lidera a corrida com 22,6%.
O que é o prazo de desincompatibilização citado no texto?
É uma regra da legislação eleitoral brasileira que obriga autoridades que desejam concorrer a cargos diferentes dos que ocupam atualmente a deixarem seus postos seis meses antes do pleito. Por isso, Marina Silva precisou ser exonerada do Ministério do Meio Ambiente até abril de 2026 para poder se candidatar ao Senado.
